Durante muito tempo eu procurei entender quem eu era e qual era o caminho que fazia sentido para mim. Não foi um processo rápido, nem simples. Pelo contrário. Muitas das escolhas que precisei fazer ao longo da vida foram difíceis e, em alguns momentos, profundamente doloridas.
Houve momentos em que precisei dizer não quando todos esperavam que eu dissesse sim. Não porque eu não me importasse com as pessoas, mas porque eu precisava aprender a me importar comigo mesma. Foi um aprendizado lento: entender que dizer sim para mim não significava abandonar ninguém, e sim respeitar aquilo que eu sabia, no fundo, que era verdadeiro para mim.
Desde muito cedo eu fui uma pessoa observadora. Sempre pensei bastante sobre os caminhos da vida, muitas vezes seguindo direções que não acompanhavam o movimento da maioria. Fiz escolhas que poucas pessoas fariam, não por coragem heroica, mas porque eu simplesmente não conseguiria viver de outra forma. Fazer diferente teria sido uma violência contra mim mesma, uma descaracterização daquilo que eu sou.
Ao longo dos anos, vieram os estudos, as experiências, os encontros e também as perdas. Tudo isso foi me dando mais autonomia e mais clareza sobre os meus próprios valores. Hoje eu entendo que cada decisão, mesmo as mais difíceis, fazia parte de um processo de construção interior.
Não foi uma busca por orgulho, reconhecimento ou aprovação. Foi apenas a tentativa honesta de viver de acordo com aquilo que eu acredito.
E hoje, olhando para mim mesma com mais serenidade, percebo algo muito simples e muito bonito: a mulher que eu sou hoje sempre existiu dentro de mim.
Ela estava ali, esperando o tempo certo para aparecer com mais tranquilidade, mais firmeza e mais liberdade.
Por isso posso dizer, com muita paz:
A Erika que me veste é a Erika que eu sempre quis ser.
