Hoje é 8 de março de 2026, Dia Internacional da Mulher.
E eu escrevo estas palavras não em tom de comemoração, mas em tom de indignação e de luta.
Os dados mais recentes mostram algo alarmante: o Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios da sua história, com mulheres sendo assassinadas, em grande parte, por ex-companheiros ou ex-parceiros. Isso revela uma realidade dura que não pode mais ser tratada com indiferença.
Diante desses números, não podemos reduzir o 8 de março a flores, mensagens vazias ou homenagens superficiais.
Hoje é um dia de reflexão, denúncia e mobilização.
É um dia para falar sobre a condição da mulher na sociedade.
Uma condição que ainda:
- paga salários menores às mulheres em comparação aos homens;
- sobrecarrega mães e chefes de família com responsabilidades desiguais;
- expõe meninas e jovens a contextos de abuso, violência e silenciamento.
Essa realidade precisa ser enfrentada.
Eu escrevo também a partir da minha própria história.
Sou uma mulher que viveu abusos e violência doméstica. Mais de uma vez.
E é justamente por isso que eu não posso me calar.
Falar sobre isso não é reviver a dor — é transformar a experiência em alerta e consciência. É abrir espaço para que outras mulheres percebam que não estão sozinhas.
Nós precisamos construir uma corrente de união entre mulheres.
Precisamos fortalecer aquilo que chamamos de sororidade.
Sororidade significa reconhecer na outra mulher uma aliada, não uma adversária. Significa apoiar, escutar, proteger e acolher.
Porque é nessa união que começamos a mudar estruturas.
O que não podemos aceitar é que mulheres continuem sendo mortas simplesmente por exercerem algo que deveria ser óbvio e inquestionável:
o direito de existir, de escolher, de viver.
Enquanto houver uma mulher sendo silenciada, ameaçada ou morta, o 8 de março continuará sendo um dia de luta.
E lutar, às vezes, começa com algo aparentemente simples:
não se calar.
